quinta-feira, dezembro 17, 2009

Outros tempos … Ponte Pênsil em Ribeirão








Inaugurada em 1858 e tida como uma das “mais elegantes do Reino", como escreveu Alberto Pimental na sua obra "Santo Tirso de Riba d'Ave", a construção da Ponte Pênsil da Trofa, como ficou oficialmente designada, eliminou definitivamente o problema da travessia sobre o rio Ave, até então feita com recurso à utilização de barcas.
Suspensa sobre o rio – daí o nome – a ponte pênsil era apoiada nos seus extremos por dois enormes Pegões de granito, de altura até ao nível do pavimento da estrada. Estava suspensa por cordões aramados presos e cabos de suspensão, que tinham os seus extremos nas casas dos portageiros.
Projectada exclusivamente por engenheiros portugueses a sua construção inseriu-se numa empreitada mais ampla - a nova estrada de ligação entre Porto e Braga (EN 14).
Esta via estruturante que veio a facilitar o fluxo de mercadorias e pessoas entre as duas cidades, foi construída pela empresa Companhia Viação Portuense dirigida, na altura, pelo Barão de Massarelos, António Gomes dos Santos e José Barros Lima, tendo o respectivo contrato de construção sido assinado em 9 de Setembro de 1851.
Esta via apesar de só ter ficado concluída em 1855, naturalmente com excepção da Ponte Pênsil, as carreiras de diligências entre Porto e Vila Nova de Famalicão iniciaram-se logo em 1852, tendo alcançado Braga, no ano seguinte. As diligências, carruagens puxadas por duas ou três parelhas de cavalos, levavam uma média de 6 a 7 horas na ligação Porto-Braga, incluindo o tempo gasto nas paragens em vendas ou estalagens, que existiam ao longo do percurso Durante esse período a travessia do Ave, era efectuada sobre uma rudimentar ponte de madeira.
Apesar das tentativas da população e das autoridades locais para o evitar, esta ponte foi demolida em 1934, por ser demasiado exígua e não reunir as devidas condições de segurança. Em seu lugar iria ser construída a actual ponte de cimento armado, melhor preparada para o intenso tráfego de uma região e um País em desenvolvimento.

3 comentários:

manuelsantosoliveira disse...

Caro Jorge Paulo
Felicito-te por esta incursão na história do património concelhio destruído pela insensibilidade cultural e democrática do antigo regime. Que belo ex-libris teríamos hoje para mais valorizar a nossa região se este crime contra o património não tivesse sido cometido! Que bela ponte pedonal não teríamos ao dispor dos locais e dos visitantes, símbolo de uma época e de uma importante ligação económica como era a antiga estrada do Porto a Braga!

Jorge Paulo Oliveira disse...

Prezado amigo Santos Oliveira.

Muito obrigado pelo comentário.

Sempre gostei de história e de fotografias antigas.
A primeira vez que vi uma foto da ponte pênsil foi em 2002,quando me desloquei à sede da Junta de Freguesia da Vila de Ribeirão.

Era de facto uma ponte fantástica, reveladora das capacidades da engenharia civil portuguesa da época, em encontrar soluções tecnológicas necessárias à construção de obras de arte.

Projectada pelos engenheiros Sebastião Lopes Calheiros e Belchior José Garcez, foi pena a sua demolição e a não preservação de uma qualquer seu vestigio.A única referência à ponte e à construção da EN 14 é o pequeno obelisco, dotado de três placas em bronze, situado em Arnoso, junto à estrada. Espero que não se lembrem de um dia também o derrubarem. Trata-se de um belissimo exemplar do património industrial e uma estrutura rara, para não dizer única em Portugal.

Nesse sentido, aliás, julgo que seria interessante estudar a possibilidade de reconstruir no local da actual ponte, por exemplo os pegões de granito, do lado de Ribeirão. Além de, por essa via, se dar a conhecer a antiga ponte, seria um elemento distintivo e marcante da paisagem, onde exactamente começa Ribeirão,Famalicão, o Distrito e a Região Minho.

A planta e os alçados da ponte encontram-se no Arquivo Histórico do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Colecção Desenhos Avulsos.

Um grande abraço.

Miguel Marques disse...

Muitos parabéns por esta iniciativa. Sem duvida alguma "recordar é viver".