terça-feira, abril 27, 2010

Tudo isso acabou


O PSD elegeu na passada sexta-feira, 23 de Abril, as suas novas estruturas no distrito de Braga.

Naturalmente que o destaque recai na eleição dos novos membros da Comissão Politica e muito em especial do seu novo presidente, o famalicense e companheiro Paulo Cunha. Apenas uma lista (Comissão Politica, Mesa da Assembleia e Conselho de Jurisdição) se submeteu a sufrágio, o que traduz bem o espírito de consenso e de unidade interna que esteve na sua génese.

Decorridos que estão 14 anos, regresso ao Conselho de Jurisdição Distrital, onde nos anos de 1996 e 1997 desempenhei funções sobre a presidência do também famalicense Correia Araújo. O vimaranense Vítor Borges é o novo presidente eleito.

Acredito que o novo órgão de direcção política permanente das actividades nível distrital, leia-se Comissão Politica, reúne as condições e as qualidades necessárias para retirar o PSD do fundo do poço onde se encontra. Os mandatos de Virgílio Costa, sobretudo o último, descredibilizaram o PSD aos olhos do eleitorado que o penalizou nos dois últimos actos eleitorais com a perda de deputados à Assembleia da Republica e presidências de câmaras municipais. Foram anos marcados por uma progressiva perda de acção e influência politica e de descoordenação dos meios e dos agentes políticos. Foram anos de condutas erráticas, incoerentes e contraditórias. Foram anos de fintas, de fugas e de esquecimentos. Foram anos de confrontos, de sobreposição de interesses, de quebras de confiança e muito em particular de violações éticas e morais. Mas tudo isso acabou, assim espero e acredito.

sábado, abril 24, 2010

4ª Gala do Desporto Motorizado

Armindo Araújo, Campeão Mundial de Rallyes 2009 (Produção), na entrega do Troféu

Gosto de surpreender, mas muito pouco de ser surpreendido. Há, porém, surpresas extremamente gratificantes.

Assim aconteceu no passado domingo, no decurso da 4ª Gala do Desporto Motorizado de Vila Nova de Famalicão, uma organização da Cidade Hoje Rádio/Jornal e o do Programa Multiválvulas.

Para minha total surpresa entendeu o Júri distinguir-me com o Troféu Dedicação, alicerçado no contributo prestado ao desenvolvimento do desporto motorizado em Famalicão, enquanto Vereador do Desporto da Câmara Municipal, sucedendo a António Neves de Carvalho (2009), Duarte Costa (2008) e Rogério Ferreira (2007).

Sempre entendi que as distinções não se aceitam, não se recusam, apenas se agradecem. Agradeço profunda e sentidamente o gesto de reconhecimento, proveniente de uma modalidade desportiva à qual, procurando nunca esquecer as minhas responsabilidades enquanto gestor público, sempre manifestei publicamente especial carinho e afeição.

Nesta hora de agradecimento não esqueço as palavras de António Lobo Antunes, proferidas em 2008, quando recebeu das mãos do embaixador francês em Lisboa, Denis Delbourg, as insígnias de Comendador da Ordem das Artes e das Letras francesas “Os prémios, as homenagens, as condecorações são talvez a mais perigosa doença da vida, e a mais mortal, porque corremos o risco de ficar satisfeitos com o nosso trabalho".

terça-feira, abril 13, 2010

Quem não deve, não teme

Recorrendo a uma prerrogativa prevista no regime jurídico dos inquéritos parlamentares, José Sócrates disponibilizou-se a responder apenas por escrito às perguntas da comissão de inquérito ao negócio da compra da TVI pela PT.

Evitar o confronto presencial com os deputados e o normal e eficaz contraditório, sinceramente não me parece uma boa solução. Não é uma forma saudável de lidar com o Parlamento e acaba por transmitir um sinal de intranquilidade, de apreensão e temor, pois como diz o nosso povo “Quem não deve, não teme” e o nosso povo já desconfia de José Sócrates, por coisas que nunca desconfiou de nenhum outro primeiro-ministro antes dele.

Mas esta decisão pode revelar-se ainda mais precipitada. Sendo esta Comissão de Inquérito equiparada a uma autoridade judicial, de acordo com as disposições do Código de Processo Civil, o primeiro-ministro arrisca ser convocado para uma segunda audição, desta vez presencial, se os deputados entenderem que as respostas dadas por escrito suscitam dúvidas ou não possuem a devida argumentação.


Este é um cenário bem plausível, sobretudo numa matéria em que José Sócrates esteve sempre longe de ser clarificador, chegando ser absolutamente contraditório. Todos se recordam que o chefe do governo começou por negar peremptoriamente conhecimento de qualquer negócio, mais tarde restringiu a negação ao conhecimento “formal” desse negócio, para logo de seguida voltar à primeira versão.