quinta-feira, janeiro 05, 2006

AZIMUTE - Sem Emenda

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O PS parece conviver mal com actos eleitorais internos. Quase sempre redundam em denúncias da prática de ilegalidade, reclamações para os órgãos superiores do partido e, inclusive, o próprio recurso à via judicial. Vencedores e vencidos nunca têm a certeza que ganharam ou perderem, mas ninguém se dá por vencido. No PS as eleições parecem que nunca chegam ao fim. Veja-se o que aconteceu nas eleições para os órgãos nacionais da JS ou, mais recentemente, na eleição para a estrutura nacional das Mulheres Socialistas. A vencida recorre contra a vencedora, ao fim de seis meses a vencida é declarada vencedora, mas a novel vencida, recorre da novel vencedora. E não saímos disto. No Partido Socialista, em Famalicão, as coisas não são diferentes. Se alguém marca eleições, chovem logo denúncias de várias ilegalidades. Quem marcou o acto eleitoral não tinha competência para o fazer, a convocatória não cumpre os preceitos estatutários, as eleições não podiam ser antecipadas, as eleições não podiam ser adiadas, as eleições não podiam ser desmarcadas, os militantes X e Y não estavam inscritos, os militantes W e Z não tinham as quotas pagas, os militantes K e L votaram antes da hora, os militantes Q e T votaram depois da hora, as urnas abriram antes da hora, as urnas fecharam depois da hora, os cadernos eleitorais estavam falseados, etc, etc, Mas não fica por aqui tamanha confusão. Há quase quatro anos sem eleições internas, o PS de Famalicão nomeia uma Comissão de Gestão, para, findo o período de gestão, entrar em gestão corrente, para logo de seguida, renovar, por mais alguns meses, novo período de gestão, mas que muitos afirmam ultrapassar a suposta mera gestão. Anunciam-se eleições para o início de Novembro, que outros dizem só poderem ocorrer em Março, do ano seguinte, mas que acabam por ser marcadas para 17 de Dezembro, desmarcadas dois dias antes e adiadas para Fevereiro de 2006. Uns seguem a decisão da Federação Distrital, outros não. Se uns fecham a sede concelhia e as secções de voto em Ribeirão e Riba de Ave, outros há que prosseguem com o acto eleitoral. Instalam uma “roulote” no meio da rua, disponibilizam a urna e os boletins de voto e chamam o Notário. Uns contam os votos e cantam vitória, os outros acusam-nos de acto de subversão e de “golpe de Estado”. O recurso ao órgão jurisdicional nacional e aos próprios tribunais é invariavelmente o caminho apontado. Antes tivemos os “monizes” contra os “agostinhos”, mas enquanto decorreu a campanha eleitoral, ficamos a saber que os “monizes” estão agora com os “agostinhos”, os “alegres” e os “luíses” e os outros, que estavam mas já não estão com os “monizes”, afinal nunca foram “monizes“. Os amigos de outrora são agora inimigos. O ajuste de contas interno faz-se na praça pública. Uns acusam os outros de candidatura de “circunstância”, sem projecto e de estar às ordens de terceiros, estes respondem que os primeiros são “falsos democratas”, “irresponsáveis” sem ideias, “agentes da intriga e insulto”, que funcionam como “uma seita, num universo maquiavélico do poder e ambições pessoais”. Carlos Sousa, militante socialista, afirma que “a Secção de Famalicão do PS é hoje um pequeno laboratório do pior que se pode encontrar na política …”. È pena que assim seja. O Partido Socialista é fundamental para o regime democrático. Ao desacreditar-se, desacredita a política e os partidos políticos que são o suporte da democracia. É pena, mas este Partido Socialista definitivamente não tem emenda.
Artigo publicado no semanário "Opinião Pública", edição de 23 de Dezembro de 2005.

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