sábado, outubro 29, 2005

Criação do Concelho de Ribeirão

O vice-presidente da Câmara de Famalicão, Jorge Paulo Oliveira, é contra a eventual criação de um concelho em Ribeirão. A posição foi manifestada, no passado sábado, à margem da inauguração do pavilhão gimnodesportivo da Associação Cultural Recreativa e Social de Ribeirão.
Na ocasião, o vice-presidente teceu rasgados elogios à capacidade empreendedora dos ribeirenses. No final, questionado pelo OP sobre se esse reconhecimento quereria dizer que a população de Ribeirão poderia gerir os seus próprios destinos, Jorge Paulo Oliveira esclareceu que, a título pessoal, não é defensor dessa opinião e que esse reconhecimento “não pode justificar um movimento de autonomização e de independência”.
Recorde-se que o projecto de criação do novo concelho foi apresentado na última reunião camarária do mandato, pelo então vereador do MAF, Manuel Miranda, curiosamente o presidente da associação ribeirense que inaugurou o pavilhão (Ver notícia nesta página).
Na ocasião, o presidente da Câmara achou a discussão do assunto inoportuna, mas agora, que passaram as eleições e questionado pelo OP, Jorge Paulo Oliveira disse claramente que é contra. O vice-presidente apresenta quatro factores que, na sua opinião, inviabilizam a pretensão.
A força de um concelho mede-se, segundo o autarca, por um lado, “pela existência de um centro urbano e de uma sede do concelho forte e onde todos se identifiquem como sendo a sua cidade” e, por outro, “a união do concelho advém também dos seus pólos urbanos nas extremidades do território concelhio”. Jorge Paulo Oliveira diz não ser por acaso que três vilas famalicenses se localizam em extremos do concelho.
Freguesias que integram projecto teriam uma “despromoção”“Se perdêssemos Ribeirão, Famalicão como concelho perdia muito, pois perdia um dos seus pólos fundamentais”, reconhece o vice-presidente que, “como responsável autárquico que tem de ver o concelho na totalidade” diz não poder “ser defensor de um movimento desta natureza”.
Jorge Paulo Oliveira entende também que só faz sentido uma reivindicação destas “como reacção a uma menor atenção do poder político concelhio”. No caso de Ribeirão, “não pode haver razão de queixa da Câmara”, pois “não tem havido atitude discriminatória, capaz de justificar esse movimento independentista”.
O terceiro factor tem a ver com a integração no projecto de outras freguesias famalicenses. São elas Vilarinho das Cambas, Esmeriz, Fradelos, Cabeçudos e Lousado, localidades que, segundo Jorge Paulo Oliveira, “têm um bairrismo muito próprio”. “Julgo que será, por aqui, uma luta perdida. Não estou a ver estas freguesias a deixar de pertencer a Famalicão para se subjugar à vila de Ribeirão. Na opinião deles seria uma despromoção”, refere.
Finalmente, o vice-presidente recorda que, normalmente, movimentos deste tipo “têm uma raiz histórica”, que, por vezes, tem décadas ou mesmo séculos, dando como exemplo o caso de Vizela, mas o mesmo não existe em Ribeirão, evidencia, onde “não há um sentimento e necessidade de independência”. “A ideia é louvável em termos de lançamento para a discussão pública, mas não sairá vitoriosa”, perspectiva Jorge Paulo Oliveira.
OBS: Noticia extraída da edição do semanário "Opinião Pública", de 28 de Outubro de 2005

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