terça-feira, outubro 18, 2005

AZIMUTE - A Terceira Via

Na noite das últimas eleições legislativas, que confirmaram a vitória rosa, critiquei o líder Comissão de Gestão do PS local, ante a insistência deste em transpor os resultados então obtidos para as eleições autárquicas que decorreram no passado domingo. Tinha razão. Passados oito meses, o PS sofreu, no concelho, uma estrondosa derrota. Ora, ninguém acredita que os famalicenses hajam votado no Engº José Sócrates por estarem zangados com o Armindo Costa e a Coligação PSD/PP, como ninguém acredita que os mesmos famalicenses tenham agora votado maioritariamente no Armindo Costa e na coligação PSD/PP, por estarem, desta vez, zangados com o Engº José Sócrates. Só o PS local é que pensa assim, continuando lamentavelmente, como se viu no passado domingo, a desprezar a inteligência dos eleitores, que não misturam tudo e sabem valorizar as diferenças. Ao invés de reconhecerem o mérito dos vencedores e o seu próprio desmérito nos resultados obtidos, apressaram-se a culpabilizar o Governo e suas medidas impopulares, para justificar o desaire eleitoral. O PS perdeu em Famalicão, porque a Coligação PSD/PP demonstrou que, mesmo perante as conhecidas dificuldades económicas, conseguiu fazer obra e colocar o município no rumo do desenvolvimento. Porque se apresentou ao eleitorado verdadeiramente unida, demonstrando possuir um programa alicerçado em ideias e projectos mobilizadores e exequíveis. Porque teve e tem um líder incontestado e apostou numa campanha alegre, determinada e pela positiva. Ao mérito da Coligação acresce o desmérito do PS. Na oposição nada de válido apresentou para o concelho. A propalada “união” não passou de um “casamento de conveniência”, com as mesmas caras que há quatro anos se insultavam mutuamente, coladas por um programa pouco inovador e muito generalista. Soma-se-lhe uma campanha negra, com as infundadas, mas inúmeras “queixinhas” para a CNE, todas arquivadas. Os improcedentes recursos judiciais intentados. As diversas violações da lei eleitoral. As recorrentes mentiras que fizeram publicar. Os muitos insultos perpetrados. As palavras de ordem como a do “Barbosa é fixe, Armindo que se lixe”. Na memória de todos ficará o artigo, publicado no Boletim Oficial de Campanha do PS, assinado pelo Dr. Agostinho Fernandes, que, entre outros impropérios, equipara um assessor da presidência a “Goebells”, qualifica dois adjuntos de “velhacos licenciados em teologia” e adjectiva de “mostrengo” o Presidente da Câmara. É um escrito inqualificável do ponto de vista político, democrático, cultural e cívico mas que serve bem para ilustrar os caminhos percorridos pelo PS. Aguarda-se, com curiosidade, o aparecimento da terceira via socialista ante a anunciada morte politica das facções “Agostinho” e “Moniz” equilibradamente distribuídas nas listas apresentadas para a Câmara e Assembleia Municipal. Opinião Pública, 14 de Outubro de 2005

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